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Dos arquivos: As folhas de Whitman

Não sou um leitor de poesia, sou leitor de poetas. Eliot, Fernando Pessoa, Drummond. E Walt Whitman, talvez o meu preferido.

75856_442Conheci Whitman por meio de uma tradução de Geir Campos e apresentação de Paulo Leminski, lançada pela Brasiliense lá em meados dos 80. Era um apanhado de “Folhas de Relva”, mas bem editado – “Folhas das Folhas de Relva”. Ainda tenho o volume, todo anotado e gasto. 

Comprei uma edição americana, da Penguin, algumas traduções portuguesas de poemas, até chegar à tradução completa de Rodrigo Garcia Lopes, lançada em 2008 pela Iluminuras. Era a versão para a primeira edição de Whitman.

“Folhas de Relva” foi uma espécie de work in progress, que só terminou quando o poeta morreu. A cada intervenção, uma edição era lançada. E foram sete.

c1084759-445b-423a-93b9-73273fdcd846Há dois anos, saiu a tradução da última versão do livro, “Folhas de relva – Edição do Leito de Morte” (Hedra, tradução de Bruno Gambarotto), o que seria o livro definitivo para Whitman.

Whitman cantava uma espécie de liberdade que o mundo de sua época ainda pouco conhecia – metade final do século 19. Inspirou beats e Bob Dylan. Sua verve romântica, às vezes exagerada, era universal. Quando sua poesia surgia ingênua, ele prosseguia até revelar uma profundidade rara, algo melancólica.

Sua leitura é instintiva, selvagem, sem devaneios intelectuais. Foi poeta como poucos.

*****

Canção da estrada aberta

“A pé e de coração aceso e levo pego a estrada aberta,
Saudável, livre, eis o mundo que encaro,
O longo caminho de terra que encaro e me leva para onde eu quiser.

Daqui para frente não peço boa sorte, eu mesmo sou a boa sorte,
Daqui para frente não me queixo, não protelo, não preciso de nada,
Acabaram-se as dores de travesseiro, as bibliotecas, as querelas críticas,
Forte e contente atravesso a estrada aberta.

A terra, ela me basta,
Não quero constelação alguma por perto,
Sei que elas estão muito bem onde estão,
Sei que elas bastam para aqueles que a elas pertencem.

(Ainda aqui carrego meus doces velhos fardos,
Os carrego, homens e mulheres, os carrego comigo para onde quer que eu vá,
Juro que é impossível me livrar deles,
Estou repleto deles e irei deixá-los repletos em troca).”

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