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Um Japão servido ao ponto

Entro na Fnac e vejo o cartaz: Feirão de Livros. Não sabia e nem era meu objetivo passar pela livraria. O cartaz provocou um desvio de rota.

Procuro pelas prateleiras ou mesas com os livros da promoção. E nada. Até que pergunto a um vendedor onde ficam os livros do tal feirão. Ele me indica uma parede, logo na entrada: “São aqueles”. “Mas só aqueles?” “Só.”

Então tá. O que vi estava mais para a hora da xepa do que uma feira. No meio de vampiros, soft porn, sagas juvenis e outras bobagens, alguma coisa se salvava. Principalmente da gastronomia.

AAAADJXEsUgAAAAAAQHQVgFoi quando encontrei ” As Minhas Receitas Japonesas” (Publifolha), da chef Mari Hirata. O livro me chamou a atenção e me convenceu quando percebi que não era apenas um apanhado de receitas. Era, primordialmente, uma coletânea de suas colunas para a “Revista da Folha” – hoje, “são paulo”.

A cada texto, ela acrescenta uma receita particular de pratos típicos japoneses. Não me lembrava de seu texto na revista, então pude me deliciar com suas crônicas. Nissei nascida em São Paulo, foi ao Japão com 24 anos para estudar a doçaria local. E ficou.

O que se lê ultrapassa o prazer gastronômico. Mari faz uma crônica de Tóquio, dos seus restaurantes, dos mercados e dos costumes. Clichê, mas é uma delícia ler suas experiências com a culinária japonesa, com o rigor das apresentações e dos restaurantes, do anseio por coisas novas e da oferta de produtos.

A chef Mari Hirata
A chef Mari Hirata

Em algum momento, me lembrou Anthony Bourdain passeando por Tóquio e experimentando o que ele chama de “sushi perfeito”, com chefs do mercado – o episódio é narrado em “Em Busca do Prato Perfeito” (Companhia das Letras).

No final, Mari acrescenta um pequeno glossário com termos japoneses para a culinária – de pratos e ingredientes, passando por processos.

Para completar, a apresentação é de Nina Horta. É uma verdadeira festa à la Babette.

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4 thoughts on “Um Japão servido ao ponto”

  1. P.S: na próxima vida, vou pedir para vir como um novo Anthony Bourdain… isso sim é um verdadeiro bon vivant.
    Mas eu gosto muito dos seus programas.

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  2. Dois rituais que acabamos incorporando à lista de preferidos ao longo da vida: conhecer culturas e, é claro, comer. E bem.
    Lendo seu texto dá vontade, realmente, de se esbaldar em um restaurante japonês – em Tóquio, porque em São Paulo tem muitos lugares, mas não desfrutamos a mesma impressão de estar lá in loco. O Walter Benjamin, filósofo alemão que estou estudando agora na pós-graduação, diria que as cópias da obra de arte nos faz perder a “aura” que sentiríamos em presença do original.
    Pelo que você bem descreveu, o livro de Mari Hirata nos traz um pouquinho desta aura perdida.

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