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Nem sempre tudo é tão elementar: como o criador de Sherlock pode surpreender

Sherlock Holmes é daqueles personagens que pertencem ao cânone literário. Tenha lido ou não, de alguma forma alguém que minimamente tenha contato com a cultura pop conhece o detetive e seu parceiro, dr. Watson.

O personagem criado por sir Arthur Conan Doyle passeia além das obras do escritor inglês. Livros, TV e cinema inúmeras vezes usam e recriam o universo sherlockiano, com resultados diversos.

Sherlock e dr. Watson na série da BBC
Sherlock e dr. Watson na série da BBC

Hoje, talvez a melhor encarnação do personagem esteja na série da BBC “Sherlock”. Contemporâneo, o detetive da TV respeita os traços criados por Doyle. Há também um seriado americano, “Elementary”, mas este permanece na fila.

E como não enxergar em Monk, o detetitve com TOC brilhantemente interpretado por Tony Schalhoub no seriado homônimo, traços de Holmes, com suas deduções e modo de interpretar as cenas de crimes?

No cinema,  há o Sherlock em formação, no divertido “O Enigma da Pirâmide”, que mostra o detetive e Watson numa escola de garotos desvendando mistérios. Bem ao contrário da adaptação para o cinema, com Robert Downey Jr., um filme de brucutu, sem charme e, pior, sem história.

UmEstudoEmVermelhoNunca fui um leitor de Sherlock, apesar do meu fetiche por literatura policial. Só tinha passado, das obras originais, por “O Cão dos Barkervilles”, há muito tempo. Até que, navegando pela loja do Kobo, encontrei “Um Estudo em Vermelho” (Zahar), com ilustrações e preço promocional – no físico, o livro vem com capa dura e em formato pocket.

É o primeiro livro do detetive, lançado em 1887, que conta como ele se encontra com o dr. Watson, vão morar juntos e começam a formar a parceria. A abertura fisga o leitor, mesmo aquele que já conhece a história e os detalhes.

A primeira parte do livro trata da apresentação e da investigação do crime – a morte de dois homens em locais diferentes. Mas a segunda parte mostra um Doyle pouco conhecido, pelo menos para mim: do narrador histórico.

Ele vai até o interior dos Estados Unidos, na época em que os mórmons começavam a se estabelecer em Salt Lake City, para narrar a origem do crime ocorrido em Londres. Como um romance histórico, o escritor perpassa pela formação dos mórmons e como eles impunham suas doutrinas. É um trecho brilhante, que vai desembocar na solução do crime detalhada por Sherlock.

As ilustrações perdem impacto na versão digital, mas se o que importa é a leitura não há perda. Esperava um livro tradicional, restrito ao crime e as idiossincrasias de Sherlock. A segunda parte do título me apresentou um escritor que não esperava conhecer.

Resta agora ir ao “O Signo dos Quatro”, que muitos dizem ser a melhor aventura do personagem.

capa-de-o-diabo-sherlock-holmes-de-david-grann-1339198490923_300x420Para fechar, uma dica. Para quem quiser conhecer um pouco do universo que envolve o personagem e seu autor, sugiro a leitura de “O Diabo & Sherlock Holmes” (Companhia das Letras), coletânea de longas reportagens do jornalista David Grann.

Em uma delas, “Circunstâncias Misteriosa – A Estranha Morte de um Fanático por Sherlock Holmes”, Grann narra a história de um crime que lembra as aventuras criadas por Doyle. Mas o principal é como ela descreve o fanatismo ao redor do personagem e do escritor. Imperdível.

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